PREPARAÇÃO FÍSICA
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Novos Trabalhos
É com muita alegria que retomo as publicações aqui no blog com o objetivo de divulgar meus novos trabalhos com textos, artigos, publicação de treinos e dicas aos meu atletas e alunos.
Nesses dois anos muitas coisas aconteceram e hoje venho atuando em várias frentes da Educação Física.
Tudo começou com a minha saída da preparação física no Goiás Esporte Clube e consequentemente com minha aprovação em um concurso da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Assumi esse trabalho como PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR e apareceu a oportunidade de desenvolver também o trabalho em uma ESCOLINHA DE FUTSAL em uma escola particular de Goiânia. Com isso me afastei da preparação física de futebol mesmo com propostas de alguns clubes e treinadores. Propostas essas que recusei no sentido de concluir meu estágio probatório na prefeitura.
Com alguns horários livres comecei o trabalho de PERSONAL TRAINING atendendo em residências, parques e academias.
No final de dezembro recebi a proposta de um amigo para montar uma empresa de FISIOLOGIA ESPORTIVA. Elaboramos o projeto, começamos de uma forma muito positiva dentro do futebol na equipe do Anápolis F.C. e estamos estendendo esse trabalho a academias e personais. No intuito de facilitar a prescrição dos trabalhos físicos de alunos e atletas, assim como, fazerem um controle de treinamentos e resultados.
E em 2013 tive a proposta da FGF de assumir a PREPARAÇÃO FÍSICA DO QUADRO DE ÁRBITROS do estado de Goiás. Projeto esse que recebi com muito entusiasmo e pretendo desenvolver um trabalho consistente, inovador e de grande produtividade para o futebol goiano.
Portanto retomo o blog com vários assuntos a serem tratados e pretendo dentro do pouco tempo que tenho ir atualizando.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Depois de 30 anos Fluminense de Araguari volta ao Módulo II do Mineiro em 2011

Aproveitamento: 37%
Comissão técnica Primeira Fase: Carivan Cordeiro, Fabrício, Waltinho, Fred.
HEXAGONAL FINAL
1 x 0 Nacional (casa)
3 x 2 Democrata (casa)
2 x 2 Patrocinense (casa)
1 x 4 Nacional
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
TRIO GOIANO
Mesmo com inúmeras dificuldades (contusões, suspensões e questões extra-campo) o Tricolor do Bosque fez uma ótima campanha no primeiro turno do Hexagonal Final do certame mineiro, conquistando nove dos 15 pontos disputados.
Além da determinação dos atletas, que em momento algum deixaram de honrar a camisa do clube, apareceu o trabalho da comissão técnica, formada pelo técnico Luvanor Donizete, pelo preparador físico Gustavo Almeida e pelo treinador de goleiros Elvis Belatto, profissionais emprestados pelo Goiás Esporte Clube.
Acompanhamos diariamente a atuação do trio, que conhece muito do que faz, repassando ao grupo o que foi aprendido por eles ao longo dos anos.
Se depender de Luvanor, Gustavo e Elvis, o Fluminense estará no Módulo Dois de 2010. Sem esquecer, é claro, do jovem araguarino Guilherme Monteiro, que auxilia brilhantemente a moçada de Goiânia.
Fonte: http://www.gazetadotriangulo.com.br/
sexta-feira, 12 de março de 2010
A DIFERENÇA NA PRECISÃO DO CHUTE ENTRE O FUTEBOL FEMININO E MASCULINO - PARTE FINAL
Capítulo VI - A PRECISÃO“A super condição física perde-se sem uma capacidade de realizar
fundamentos técnicos precisos, que decidam jogos e campeonatos”.
Gomes, A. Carlos e Mantovani, Marcelo(Shirva e Golomazov.1996,12).
Nada adianta um preparo físico excelente, jogadas brilhantes no futebol, se a bola não balançar as redes, este é o detalhe que decide o jogo.
Nosso trabalho busca concluir que em precisão, as mulheres podem atingir a mesma capacidade que os homens. E considerando a precisão característica decisiva no futebol, o feminino tem tudo para se tornar tão competitivo quanto o masculino.
Neste capítulo o objetivo é elucidar a precisão citando suas características, qualidades, treinamentos e controles.
- Características e qualidades da precisão:
A precisão como qualidade física, não vem recebendo a mesma atenção dispensada à velocidade, força, resistência, flexibilidade e agilidade. Talvez se deva ao fato de que muitos a consideram como uma medida hereditária, o que não deixa de ser verdade.
Mas Golomazov e Shirva alertam para o fato de que “a precisão herdada é generalizada, mas quando adquirida durante os treinos de determinados movimentos e em determinadas condições é específica, manifestando-se nas condições e em movimentos que foi adquirida. Além disso, a propensão para a técnica nada tem a ver com a precisão” (1996,25) .
Embora com características genéticas, a precisão não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas e sim, à medida que amadurece o seu aparelho motor e suas capacidades para aprender.
Considerando que cada criança possui seu próprio amadurecimento e capacidade de aprendizagem diferente, é preciso observar bem esta individualidade, estabelecendo que qualidades são mais benéficas em cada idade.
Interferem diretamente na precisão os sistemas sensoriais, hábitos locomotores, técnica e aparelho muscular. qualidades estas cujo desenvolvimento se dá, segundo Golomazov e Shirva, “até 10 e 11 anos no sistema sensorial, entre 11 e 15 anos (puberdade) para treinamento técnico e de 15 a 21 anos se dá a formação definitiva do aparelho muscular”( 1996,26).
Há períodos favoráveis e não favoráveis para se aprenderem certos movimentos que, quando não ocorrem na hora certa, nunca mais se recuperam, ou só são obtidos, mediante treinamentos intensos.

- O treinamento da precisão
O treino da precisão sofre a influência de três princípios na visão de Golomazov e Shirva : “quantidade, especialização e orientação de exercícios” (1996,53).
Princípio da quantidade significa que o treino da precisão deve constar de várias repetições, variando as atividades para eficácia do treinamento.
Especialização requer aproximação do treino em precisão nas ações referentes às situações de jogo, necessitando para isso de coordenação muscular, alterações cinemáticas, dinâmicas e de um estado funcional favorável do atleta.
A cinemática e a dinâmica do movimento interferem na precisão, pois o chute apresenta diferença quando se leva em consideração fatores como a velocidade do atleta, força do chute, resistência do adversário, variação dos chutes (altos, rasteiros, meia-altura ) e ações que precedem a finalização dos mesmos (corrida, saltos, condução de bola) .
O treino da precisão deve obedecer ainda a um regime fisiológico correspondente ao estado funcional que o atleta apresenta durante um jogo.
Já na orientação dos exercícios dá-se ênfase aos sistemas sensoriais, especificamente musculares, articulares e visuais trabalhando a técnica e o desenvolvimento do aparelho motor.
“Para desenvolver a sensibilidade coloque aos futebolistas o objetivo: “mais difícil que o principal”. Ao treinar técnica observe o princípio da especificação: “no treino como no jogo”. Ao desenvolver as qualidades físicas parta do princípio : “necessário/suficiente”, sugerem Golomazov e Shirva (1996,70).
- Métodos de treinamento:
Para o treinamento da precisão os métodos mais importantes são três, segundo Golomazov e Shirva: “repetições, aproximação de tarefas e contrastes” (1996,73).
A repetição de exercícios pode ser simples, com quantidade e tempo desejado , intervalados e em séries, com objetivos pré-colocados como acertar dez vezes consecutivas ou um determinado número de vezes a partir de posições diferentes.
Quanto ao método de aproximação de tarefas “consiste na execução de um só exercício em circunstâncias (estímulos) inicialmente muito diferentes que, aos poucos, se aproximam” segundo Golomazov e Shirva baseado no fenômeno da “inibição fisiológica” descoberto pelo fisiologista russo Ivan Pavlov (1996,74).
Já o trabalho com contrastes aumenta a eficácia do treino da precisão embora não deva ultrapassar um quarto das atividades do dia. Pode ser realizado com variações de tabelas ,uma de longe outra de perto, antes da finalização ou variando também o peso da bola ou as circunstâncias do treino.

- Controle da precisão:
Corresponde às avaliações que são feitas com atletas inerentes à precisão no sentido de se planejar os objetivos de um trabalho, ou mesmo, resultados e por conseqüência um “feedback”, redirecionando o treinamento.
O objetivo é diferenciar a precisão herdada da que foi adquirida em resultados da preparação motora geral.
Estes testes interessam mais para o próprio treinador do que para o atleta, mas é importante que o segundo tome conhecimento, podendo assim entender e melhorar sua participação nos treinamentos.
Para alcançar tais avaliações Golomazov e Shirva sugerem “testes de precisão de execução das ações técnicas e testes de manifestação conjunta entre precisão e velocidade” (1996,152).
Nossa pesquisa, que será detalhada no próximo capítulo, tem como objetivo a execução da precisão do chute, sem levar em consideração a velocidade e as características de composições corporais específicas do sexo, em alunos de escolas especializadas, ou seja, vindos de uma preparação técnica constante.
Capítulo VII - A PRECISÃO DO CHUTE NO FUTEBOL MASCULINO E FEMININO - PESQUISA NÃO EXPERIMENTAL
“Pesquisar é reinventar seus novos pensamentos”
Gustavo Almeida (1994,04)
Fundamentados na variedade de análises e conhecimentos adquiridos nos capítulos anteriores, apresentamos nesta parte do trabalho todo o desenvolvimento e metodologia da nossa pesquisa propriamente dita.
VII-1 - Desenvolvimento do Trabalho:
- Justificativa :
Esta pesquisa servirá para analisarmos a diferença na precisão de chutes a gol no futebol masculino e feminino.
- Objetivo:
Determinar a diferença de aproveitamento do chute a gol entre os atletas do sexo masculino e feminino, contribuindo assim para a afirmação do futebol feminino no cenário esportivo nacional e mundial.
- Delimitação
Foram analisados alunos exclusivamente de escolas especializadas, os quais executavam dez chutes livremente. O total de alunos analisados foram de dez alunos do sexo masculino e dez alunas do sexo feminino.
- Definição de termos:
ESCOLA ESPECIALIZADA: é a escola cujo objetivo visa trabalhar os fundamentos de um tipo de modalidade esportiva, no caso o futebol.

VII – 2- Metodologia :
- Tipo de pesquisa:
Pesquisa não experimental, onde analisaremos os chutes de jogadores de futebol e mostraremos, através de dados, as diferenças de aproveitamento na precisão em chutes a gol, sem interferências de padrões corporais inerentes às características sexuais.
- Instrumentos:
Para a realização dos testes foram utilizados os seguintes materiais:
- uma bola de futebol de campo;
- um trena de quinze metros;
- um gol de futebol de campo, com rede;
- um rolo de barbante, para delimitar a área do gol;
- Prancheta, caneta e folha não padronizada, para anotação dos resultados (rascunho).
- Amostra:
Foram testados vinte alunos sendo dez de cada sexo, todos com mais de um ano de treinamento das técnicas específicas de futebol em escolas especializadas.
- Procedimentos :
Os alunos deviam chutar a bola ao gol, seguindo seu estilo e técnica preferida, num total de dez bolas cada um, a distância de onze metros do gol. Os chutes deveriam ser executados em direção ao gol, dividido em nove regiões. O acerto receberia uma pontuação pré-determinada variando de um a quatro pontos. Chutes na trave ou para fora foi atribuída nota zero.
- Análise dos Dados:
- Média dos chutes dos alunos:
Masculino = Feminino
1 – 1,9 = 1 – 2,1
2 – 3,6 = 2 – 2,6
3 – 1,7 = 3 – 2,2
4 – 2,0 = 4 – 1,6
5 – 2,6 = 5 – 2,9
6 – 2,9 = 6 – 3,0
7 – 3,0 = 7 – 1,9
8 – 1,6 = 8 – 2,7
9 – 2,6 = 9 – 2,0
10 – 1,7 = 10 - 3,4
- Média Aritmética
X = 2,36 = X= 2,44
- Desvio Padrão :
S = 0,66 = S= 0,47
- Discussão:
Considerando os resultados encontrados, não só provamos que a precisão do chute a gol no futebol independe do sexo do atleta, como podemos observar neste trabalho uma pequena superioridade das mulheres talvez por detalhes tais como atenção e concentração. É bom dizer que durante os testes em ambos os grupos existiram aqueles que arriscaram menos ou mais.
Voltamos a lembrar que este teste foi feito com alunos de escola especializada, podendo não ser encontrados resultados semelhantes quando comparados a atletas profissionais, cujos homens têm mais oportunidade e tempo para treinamento e competições.
Como o objetivo do futebol é “bola no gol” e para esse fim exige-se precisão, as mulheres treinadas nas mesmas condições masculinas podem obter a mesma capacidade.
Portanto, o futebol feminino desenvolvido técnica e taticamente apresentará um espetáculo que só não se compara ao masculino pelos parâmetros físicos inerentes a composição corporal adquirida geneticamente.
Esta diferença pode ser analisada de duas formas: se por um lado não vamos ter chutes e passes tão longos, vamos ter um jogo menos bruto, com dribles e passes mais curtos. Esperamos estar confirmando o que já havíamos comprovado na prática, durante nosso trabalho: as mulheres podem jogar futebol.
Fica agora aberta uma proposta para novos trabalhos que visem elucidar a relação da mulher com o futebol, aprimorando seus conhecimentos técnicos, físicos e psicológicos.

CONCLUSÃO
A pesquisa é uma oportunidade de novos conhecimentos e, além disso nos permite construir idéias, refletindo sobre os problemas do futebol, sua relação com a Educação Física e com o contexto social.
Impossível ficar indiferente ou mesmo tentar camuflar comentários irônicos que ouvimos diariamente dentro do nosso trabalho com equipes femininas.
Preconceitos que não se limitam aos homens, machistas por influências sócio-políticas, estendendo-se às próprias mulheres e às famílias das atletas.
A esperança fica por conta daqueles que acompanham o trabalho, entendendo a opção das meninas, dando o apoio e o respeito necessário para o seu desenvolvimento.
Neste trabalho, conseguimos confirmar que a mulher tem capacidade para atingir desempenhos favoráveis no futebol. A precisão é tão aguçada quanto nos homens e o seu treinamento apresenta resultados positivos..
Falta então um trabalho técnico mais apurado, desenvolvimento das qualidades físicas próprias do futebol, isto é claro, respeitando suas particularidades genéticas e de composição corporal. É bom que se frise isto: são particularidades e não limitações.
A consolidação e criação de equipes exclusivamente femininas com recursos próprios e comissão técnica exclusiva, são provavelmente a grande chance de crescimento do futebol feminino. Nos clubes já existentes, a preferência será sempre para o masculino, sendo as mulheres relegadas a segundo plano.
É importante também, a organização de campeonatos regionais e nacionais fortes que promovam confrontos entre todas as equipes do país, elevando a motivação das atletas, o nível técnico e despertando o interesse de novas garotas.
Este fortalecimento proporcionará o interesse da imprensa esportiva, favorecendo a busca de empresas fortes que patrocinem os clubes e os eventos relacionados ao futebol feminino.
Novos conhecimentos científicos na relação mulher-futebol, assim como intensificação dos treinamentos técnico, físico, tático, psicológico serão fundamentais para a melhoria das partidas femininas.
É importante entender porém, que muitas meninas praticam o futebol sem interesse em participar de competições, pretendendo apenas o lado lúdico do esporte, que lhes proporcione um bem estar corporal e o convívio social.
Nestes casos, aumenta-se a responsabilidade de escolas especializadas e de professores de educação física ligados ao futebol, para que os mesmos respeitem os interesses de cada um, evitando assim o desinteresse ou desmotivação pelo esporte em questão.
A conscientização da mulher dentro do contexto prático futebolístico também é imprescindível . É preciso que elas passem a ter mais interesse por jogos de futebol, indo aos estádios, assistindo a partidas masculinas e femininas, podendo descobrir por si mesmas mais detalhes sobre a dinâmica dos movimentos individuais dos atletas em função do coletivo.
Esperamos com o nosso trabalho estar contribuindo para a ascensão da mulher no futebol e no universo esportivo, reafirmando sua posição de lutas e conquistas no espaço social, consolidando seus interesses próprios com liberdade de pensamento e ação.
Almejamos também destacar a importância dos resultados sempre lúcidos da pesquisa, descobrindo conhecimentos, confrontando idéias, constituindo novos projetos de trabalho e buscando a evolução dos atletas dentro dos esportes, no caso o futebol.
BIBLIOGRAFIA
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ARAÚJO, Sebastião. O futebol e seus fundamentos: o futebol força a serviço da arte. 2aed., Rio de Janeiro, Imago,1994
ARRUDA, Marcos. Formando a nova mulher e o novo homem. Rio de Janeiro, PACS, 1988.
BORSARI, José Roberto. Futebol de Campo. São Paulo, E.P.U., 1989.
DANTAS, Estélio H. M. A prática da preparação física. 3a ed., Rio de Janeiro, Shape, 1995.
DAYUTO, Moacyr. Basquete: Metodologia do Ensino, 8a ed., São Paulo, Hemus, 1991.
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FERREIRA, Ricardo Lucena. Futsal e a iniciação, 2a ed., Rio de Janeiro, Sprint,1994.
GAIARSA, José Ângelo. Organização das posições e movimentos corporais: Futebol 2001. 3a ed., São Paulo, Summus,1984.
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GUYTON, Arthur C. Fisiologia humana e mecanismos das doenças. 5a. ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1993.
McARDLE, Willian, KATCH, Victor e KATCH, Frank. Fisiologia do Exercício: energia, nutrição e desempenho humano, 3aed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1991.
MELO, Helder, REZENDE, Marco Aurélio e VILELA, Ricardo. Trabalho de pesquisa, Goiânia, ESEFEGO, 1994.
MIRANDA, Ana. Ser mulher. In: Veja 25 anos: Reflexões para o futuro. São Paulo. Abril, 1993:126-134.
PERROT, Michelle. O Nó e o Ninho. In: Veja 25 anos: Reflexões para o futuro. São Paulo. Abril, 1993:75-82.
SAMULSKY, Dietmar. Psicologia do esporte: Teoria e aplicação prática. Belo Horizonte. Imprensa Universitária. UFMG,1995.
SEGALLA, Amauri e GARCIA, Sérgio. Homens, chegamos. In: Placar. São Paulo. Abril, (1106) ago./1995:33-37.
VESENTINI, J. Willian. Sociedade e Espaço: Geografia Geral do Brasil. 32a ed., São Paulo, Ática, 1996.
VIANA, A. Rigueira e RIGUEIRA, J. Elias. Futebol Prático: preparação física, técnica e tática. 1aed., Viçosa, UFV,1990.
WEINECK, Jurguen. Biologia do esporte. São Paulo, Manole,1991.
quinta-feira, 11 de março de 2010
A DIFERENÇA NA PRECISÃO DO CHUTE ENTRE O FUTEBOL FEMININO E MASCULINO - PARTE 3

“A técnica exige uma escola se o nosso craque
não tem nada a aprender, tem muito a corrigir”
Araújo, Sebastião (1976,30)
No Brasil, o futebol ocupa o primeiro lugar de interesse na área esportiva, sendo a modalidade mais praticada e mais acessível para a população em geral. Com isso há um número muito grande de atletas e equipes, o que fortalece o desempenho dos clubes e seleção brasileira em nível mundial.
A maioria dos treinadores por falta de conhecimento científico acreditam que o jogador brasileiro nasce feito, não precisa de treinamento técnico e aquela criança que não é boa não terá futuro. Quem nasceu “bom de bola” terá seu futuro garantido.
Com essa idéia os nossos jogadores formam-se sozinhos nas peladas e brincadeiras de ruas, incluindo recentemente, com maior frequência, as garotas. Só depois, estes atletas procuram os clubes através de testes ou escolinhas.
Alguns fatores contribuem para a mudança desta situação como a modernização das cidades, a falta de segurança e de tempo livre dos pais ou das próprias crianças que vieram de encontro ao oportunismo de alguns empresários e à necessidade financeira dos clubes.

As escolinhas especializadas em futebol se difundiram no país oferecendo não só espaços seguros para a prática do futebol, como treinamento técnico, físico e tático, principalmente onde há o trabalho de profissionais da área de Educação Física.
Fora das escolinhas, o futebol pode ser praticado nas escolas (geralmente futsal) e nos bairros, através de programas sociais ou de governos. Além dos clubes há escolinhas criadas e dirigidas por empresários, ex-jogadores e professores de Educação Física.
Mas ainda assim a iniciação ou mesmo o treinamento de futebol passam por problemas . Nas escolas ocorre falta de estrutura, de material, e os professores mediante estas dificuldades, o excesso de alunos e a falta de tempo não alcançam os objetivos pré-estabelecidos para a educação nas várias faixas etárias.
Nas escolas do interior não há professores formados, assim como nos projetos elaborados por prefeituras, incluindo capitais, onde o ensino fica “na mão” de ex-jogadores ou pessoas que tenham interesse pelo futebol.
Isso acaba por não definir um padrão de qualidade do ensino, entretanto faz-se necessário, uma vez, que nem sempre encontram - se professores de educação física em disponibilidade ou os baixos salários não os atraem.
Nas cidades maiores as escolinhas particulares ou de clubes vêm conquistando seus espaços. Os alunos têm materiais, espaço físico professores formados. Os proprietários ou clubes, uma excelente fonte de renda, quando bem administradas.
As mulheres por sua vez se sentiram mais à vontade para a prática do futebol, quando no passado, mediante o preconceito, só jogavam com irmãos e primos.
Com a consolidação das escolinhas passaram a ser mais contestadas a utilização intensiva do treinamento técnico e a necessidade da formação do profissional que conduz o desenvolvimento da criança.
Daí a necessidade de se buscar uma educação mais abrangente incluindo além da formação intelectual, física, moral e estética, a socialização do indivíduo ancorada em um trabalho psicológico equilibrado.
Este trabalho não pode ser realizado por pessoas leigas , sem qualquer planejamento. Para se obter resultados com aulas de futebol deve ser oferecida uma grande variação de atividades motoras, aliadas a um trabalho básico e intensivo de técnicas relacionadas ao futebol, incluindo a prática do jogo propriamente dito .
No Brasil há uma certa resistência ao treinamento técnico porque a maioria dos atletas acham que não precisam deste trabalho. Quando fazem, não mostram muito interesse, por desmotivação ou desinformação sobre os benefícios, que nem sempre são dominados pelos treinadores, principalmente os leigos.
Contrariando essa falsa premissa, entendemos que a técnica não é definitiva, devendo ser aperfeiçoada constantemente através da busca de soluções adequadas para uma progressão contínua, o que só se consegue com um treinamento insistente.
Segundo Araújo, “técnica é a execução dos elementos fundamentais do jogo”(1976,23). Nestes elementos podem ser incluídos técnicas sem bola, como a corrida, movimentação tática, finta e também com toques na bola que se dão através de chutes, passes, domínios, dribles, cabeceios e proteção de bola.
Uma técnica defeituosa , completa Sriutz em Rezende, Melo e Vilela, “impede que o desportista coloque suas potencialidades físicas crescentes a serviço de uma performance específica superior” (1994,06).
Durante as aulas o treinamento técnico específico deve corresponder no mínimo a 1/3 da aula.
Esta é composta ainda por um aquecimento no início , o coletivo (jogo propriamente dito) que é responsável pela maior motivação do atleta e permite a aplicação do treinamento e termina com um trabalho de volta à calma.
Segundo Weineck “o processo de formação técnica exige, no caso de crianças, uma sistematização reforçada com uma divisão de objetivos parciais nas diferentes etapas” (1989,210).
Os fundamentos devem ser aplicados de forma intercalada, tendo sempre um como objetivo principal da aula. A seleção do grupo de técnicas a serem trabalhadas é feita na fase de planejamento e depende da idade dos alunos, do estágio em que se encontram, da estrutura e materiais à disposição do professor.
Os alunos podem ser divididos em turmas que respeitem a faixa etária, que no futebol geralmente se classifica pelo ano de nascimento, e também em níveis técnicos, o que deve ser feito com muita atenção e critérios para que não desmotive os alunos considerados mais fracos. Esta classificação facilita o trabalho dos educadores.
Melo, Rezende e Vilela concluíram em sua pesquisa que “os jogadores que fazem parte de escolas especializadas apresentam um nível maior de rendimento do que aquelas que praticam o futebol nas escolas da rede básica de ensino, além disso, os alunos de escolinhas apresentam uma maior homogeneidade, ou seja, as diferenças de técnica entre os alunos apresentam uma menor disparidade em relação aos alunos que não têm uma intensificação do treinamento técnico” (1994,11) .

O trabalho de pesquisa e avaliações nas escolinhas são necessárias à medida que permitem aos professores dividirem suas turmas de forma ideal, homogênea, direcionando seu trabalho para os diferentes grupos de alunos, quando será respeitada a individualidade. Além disso são números que podem favorecer a motivação dos atletas.
Portanto os professores devem estar sempre informados sobre trabalhos científicos relativos ao futebol ou áreas afins, podendo assim formular suas próprias pesquisas e incrementar suas aulas com exercícios pré–definidos, com objetivos coerentes à necessidade de seus alunos.

Capítulo V - A TÉCNICA DO CHUTE
“Qualquer movimento pode ser feito de muitas maneiras diferentes. Dentre estas maneiras, sempre existe uma que é ótima, uma que é péssima e, entre os dois extremos, todas as variedades e graus possíveis de eficiência. A eficiência do gesto é medida por três critérios básicos: se ele alcança sua finalidade, quanta energia ele gasta, qual sua organização interna.”
Gaiarsa, José Ângelo (1984,20)
O chute é uma característica fundamental do futebol e o movimento que define o jogo. Através dele se obtém os gols que são responsáveis pelo resultado da partida. O atleta que desenvolver um bom chute tende a se destacar no futebol.
O conhecimento teórico do chute é um fator importante para um jogador, pois o habilita a diminuir a possibilidade de erros. Deve ser desenvolvido ao máximo sob condições difíceis e com qualquer parte do pé. A execução técnica de um chute perfeito é aparentemente fácil, porém na prática as coisas não são bem assim.
Lucena conceitua o chute como “a ação de golpear a bola visando desviar ou dar trajetória a mesma estando ela parada ou em movimento” (1994,33 ).
O toque na bola pode ser feito com as várias partes do pé, como face interna, externa, dorso e bico. Os chutes podem ainda ser simples, de voleio, bate pronto , sua trajetória, rasteira, meia altura e alto.
A força que determina a velocidade da bola e o ponto de contato na bola também são variáveis determinantes no chute. O jogador habilidoso escolhe seu método de acordo com seu propósito imediato, mas às vezes as circunstâncias do jogo é que determinam o tipo de chute a se utilizar.
O chute muitas vezes não depende da vontade do jogador, quanto as suas condições nervo motora, porém é possível melhorar a técnica do chute com a correção de vícios. Para isso, é preciso respeitar o estilo do jogador mostrando-lhe as possibilidades de melhoria do movimento.
Um jogador portanto deve desenvolver ao máximo sua habilidade em chutar, sob condições difíceis e com qualquer dos pés ou técnicas.

- Cinesiologia do chute
A boa execução técnica é estudada em bases científicas e há várias condições para um bom chute. Viana e Rigueira definem o chute como “um movimento balístico pendular e acelerado pela extremidade inferior ativa, enquanto a outra extremidade do membro inferior gira a altura da cintura, formando o apoio” (1990,351).
A movimentação inicia-se com a corrida para a bola que pode ser frontal ou obliquamente, seguida da colocação da perna de apoio ao lado da bola e dependendo do chute, atrás ou um pouco à frente. O posicionamento do pé de apoio, é responsável, junto com o braço, pelo equilíbrio do corpo.
Posteriormente é feita a formação da alavanca da perna de ataque, que Viana e Rigueira consideram como a “primeira fase de preparação do chute : dobra-se o joelho em flexão, fazendo o alongamento do quadríceps, enquanto a extremidade inferior encontra-se em flexão plantar e a articulação coxo-femoral ligeiramente estendida” (1990,351). Quanto maior a alavanca, maior a possibilidade de potência.
O movimento da perna de ataque e o toque na bola são considerados por Viana e Rigueira a fase de realização do chute, onde ele relata que “ao mesmo tempo que se coordena uma flexão do quadril, promove-se uma extensão violenta da perna, por meio da contração do quadríceps, transmitindo ao pé, como um disparo, toda a força desta eficiente alavanca. O pé, por sua vez, contribui para o movimento, promovendo uma ligeira inversão no movimento inicial” (1990,351) .
Este movimento pode se tornar ainda mais veloz e potente, se adicionada ao início do disparo uma rotação interna, juntamente com uma ligeira abdução do quadril.
A finalização do movimento ocorre após a bola ser golpeada com a perna, prosseguindo na ação em razão da sua inércia até a posição final.
Quando a fase final é alcançada Viana e Rigueira destacam que “a extremidade de apoio se encontra em abdução com flexão do quadril, hiperextensão da perna e o pé em posição neutra, voltando todos, em seguida , à posição inicial, ou seja, à posição de apoio” (1990,35) .
Apenas a movimentação correta não significa que o chute terá eficiência, é preciso ainda ter intenção , objetivo, força e precisão.
A intenção e objetivo se relacionam com ataque e defesa uma vez que o atleta realiza uma ação de chutar com intuito de fazer o gol ou tirar a bola da defesa. A precisão é a característica principal deste trabalho e será considerada no próximo capítulo.
Já a força, segundo Borsari, sofre várias influências: “além da execução perfeita da alavanca da perna que vai chutar, o movimento deve ser perfeito desde os quadris até a ponta dos pés, com auxílio de pequena rotação dos quadris. Considera-se ainda a explosão, a direção e a posição em que a bola vai ser golpeada, como no centro, por exemplo, a força atinge quase 100%. Finalmente observam-se o peso, a dureza, a velocidade de chegada da bola, assim como a resistência do ar e a força de gravidade” (1989,21).
O ponto de contato do pé com a bola pode ser com a parte interna, externa, dorso e bico. Como chutes especiais podem ser considerados o calcanhar, a coxa e a cabeça. O arremesso lateral, apesar de ser executado com as mãos, também é usado para impulsionar a bola.
O chute com a face interna tem boa precisão e pouca potência. O ponto de contato é formado pela parte superior do arco do pé, compreendendo toda a parte lateral interna. Conseguem-se grande eficiência e segurança, pois a superfície de contato utilizada é enorme.
O chute com a face externa compreende uma superfície que vai do início dos dedos menores até o prolongamento da linha da perna. É de difícil execução. Quando usados por atletas destros a maioria dos chutes se direcionam do centro do gol para o lado direito, pelos canhotos, do centro do gol para o lado esquerdo da meta.

O chute com o peito ou dorso do pé tem seu ponto de contato formado pela parte superior do pé, desde os dedos até o início da perna. É considerado o mais natural dos chutes e além de possuir boa precisão é com certeza o mais potente de todos.
No chute com a ponta do pé ou de bico, encontra–se a menor área de contato com a bola compreendendo apenas as pontas dos dedos principalmente o dedo maior.
Em uma pesquisa Ferreira e Costa concluíram que “pela ordem: face interna, externa, peito do pé e ponta do pé têm maior precisão” (1994,14), dentro da mesma metodologia que será estabelecida neste trabalho.
Entretanto, como a distância utilizada é pequena, não exigindo força, não será determinado nenhum dos pontos de contatos ou de impacto para que se toque na bola.
Finalizando, queremos completar que o chute, acima de tudo, deve ser um movimento realizado com a sensibilidade motora que permita a descontração dos músculos, assim como um controle visual.

