quarta-feira, 10 de março de 2010

A DIFERENÇA NA PRECISÃO DO CHUTE ENTRE O FUTEBOL FEMININO E MASCULINO - PARTE 2

CAPÍTULO II - A MULHER E O ESPORTE

“A mulher não perde a sua feminilidade com a prática desportiva.”
Dayuto, Moacyr (1991,73)


As diferenças entre homens e mulheres são claras e segundo Weineck “não se referem apenas às características sexuais e primárias mas também quanto às grandezas constitucionais, anatômicas e fisiológicas”. (1991, 354)

Entretanto, estas diferenças relativas à formação genética da constituição corporal e da função orgânica não impedem que as mulheres possam obter um desempenho desportivo satisfatório dentro de suas potencialidades.

Repetindo a introdução, onde mencionamos Dayuto que destaca opiniões de Boigey e Pini, “as pesquisas científicas médico-desportivas realizadas neste sentido permitiram estabelecer, no entanto, que a mulher normal convenientemente treinada e preparada psicologicamente para enfrentar certas situações fisiológicas que lhe são próprias, suporta perfeitamente bem todos os esportes comumentes praticados pelo homem sem sofrer nenhuma perturbação no seu equilíbrio morfo-funcional.” (1991,73)

Todos os outros números maiores em relação à porcentagem de resultados obtidos pelas mulheres em comparação com os homens são convicções sócio-políticas referentes a influências tradicionais que por muito tempo reduziram as participações femininas em competições.

Desde os primeiros jogos olímpicos da Era moderna em Atenas, o próprio fundador Pierre de Coubertin frisava que “o esporte feminino infringia a lei da natureza”, relata ainda Dayuto. (1991,73)

Mostrando que estas influências estão ficando para trás, observa-se melhora considerável dos desempenhos femininos nos últimos anos.

O futebol é uma das vertentes desta transformação e aos poucos vem conquistando novas adeptas, contribuindo para a qualidade do jogo.

Dentro deste capítulo vamos explorar as diferenças constitucionais, anatômicas e fisiológicas que são fundamentais para compreender as capacidades de desempenho geral entre os dois sexos e suas relações com o futebol.

Serão consideradas ainda a capacidade feminina dentro das principais formas de exigências motoras influenciando nas ações ou características do jogo, a interferência do período de gestação e da menstruação durante o desenvolvimento das atividades.

II- 1 – Diferenças anatômicas fisiológicas específicas do sexo

- Diferenças constitucionais :

A mulher, em média, não é só menor e mais leve que os homens. Possui também uma estrutura óssea mais fraca, diferentes proporções do tronco, extremidades, ombro e quadril.


A estatura feminina é entre 10 e 15 cm inferior a dos homens devido à maturação mais rápida do esqueleto e fechamento precoce dos discos de crescimento na mulher.


A média geral de altura em atletas do futebol feminino ainda é baixa, influenciando principalmente nas posições de goleiras, zagueiras e atacantes finalizadoras onde esta característica física é imprescindível.

As mulheres são de 10 a 20 kg mais leves que os homens. O esqueleto feminino contribui para essa diferença uma vez que seu peso é 25 % menor quando comparado ao masculino.

Entretanto merece destaque na estrutura óssea a maior fragilidade dos grandes ossos que tornam as mulheres mais suscetíveis a fraturas, mesmo com carga reduzida.

As mulheres apresentam uma acentuação do tronco de 38 % contra 36 % nos homens em relação ao comprimento corporal. No lado masculino acentuam-se as extremidades e os ombros são mais largos, excedendo as medidas dos quadris em 15 cm, enquanto que na mulher esta diferença é de apenas 3 cm.


Citando Schonholzer, Weineck diz que “a largura dos quadris em relação ao tronco é de 54 % nas mulheres e 50 % nos homens” (1991,358 ) .


A diferença na largura dos quadris e todas as outras de proporções específicas do sexo provocam na mulher um deslocamento do centro de gravidade do corpo para baixo.


No futebol esta diferença prejudica principalmente nas corridas e nos saltos.


- Tecido adiposo e musculatura :

Existem entre homens e mulheres diferenças consideráveis quanto ao tecido adiposo e musculatura.

Weineck encontrou em Titte e Wutscherck que “a gordura é presente 1,75 vezes mais na mulher do que no homem. E este depósito ocorre principalmente no tecido conjuntivo localizado abaixo da pele, ou subcutâneo. Observando ainda que esta parcela de gordura em relação à massa corporal total eqüivale a 28,2 % na mulher, sendo 10 % maior que no homem” (1991,358) .


A maior quantidade de gordura somada à estrutura óssea mais leve deixam as mulheres com uma menor densidade corporal.


Já no que diz respeito a músculos, o sexo feminino apresenta menor massa muscular tanto relativa como absoluta, acarretando influências negativas principalmente na força máxima.


“De forma absoluta a mulher apresenta 23 kg de massa muscular, e os homens, 35 kg. Em relação à massa corporal a parcela de músculos corresponde a 41,8 % nos homens e 35,8 % nas mulheres”, arremata Weineck (1991,358) .


Na composição das fibras, a parcela de fibras ST e FT são aproximadamente iguais nos dois sexos.

As diferenças da massa muscular provocam variações também na treinabilidade. Músculos do tronco e abdômen possuem efeito quase igual em ambos os sexos, mas nas musculaturas das extremidades os homens são melhores treinados.

Segundo Weineck “a presença do hormônio masculino (testosterona) tem o efeito anabólico sobre as proteínas (sintetizantes), sendo a causa da diferente acentuação da musculatura e da treinabilidade específica dos sexos” (1991,360) .


As diferenças entre os sexos são relativas, sendo maiores na prática devido à composição corporal e massa muscular superior dos homens.



- Medidas cardíacas e capacidade circulatória :

Os fatores diferenciais ocorrentes no sentido sexual estendem-se às medidas do coração e circulatórias sendo menores nas mulheres em todas as idades, tanto em valores absolutos como relativos.

A freqüência cardíaca em repouso é de setenta minutos na mulher e sessenta nos homens.


O coração menor e mais leve na mulher, segundo Weineck “leva a mulher, sob carga, a regular maior necessidade de oxigênio principalmente através de um aumento não econômico da freqüência cardíaca” (1991,361) .


A mulher apresenta ainda menor quantidade de sangue (3,8 l) em relação aos homens (5 l).


- Função respiratória e esgotamento de oxigênio :

Os fatores constitucionais desencadeiam uma diminuição de quase todas as medidas das mulheres, não sendo diferentes quanto às vias respiratórias, fossas nasais, traquéia e brônquio.

‘’O pulmão é menor tanto em tamanho, quanto em peso,” acrescenta Schonholzer em Weineck (1991,362) . Essa redução de medidas do pulmão feminino é como no coração, relativa e absoluta.

O menor tamanho das mitocôndrias e sua menor presença junto ao músculo esquelético feminino diminui a capacidade aeróbica da mulher, já que apresenta correlação com absorção máxima de oxigênio.


E segundo Weineck, citando Neuman e Buhl, “o aproveitamento periférico de oxigênio é menor em decorrência da menor massa muscular e pior capilarização do músculo feminino não treinado” (1991,362) .


A produção de energia se dá através dos depósitos celulares, segundo Weineck, que volta a citar Neuman e Buhl : “a mulher mobiliza mais gordura sob carga de resistência, pois possui um teor de 40% superior de triglicérides em depósitos semelhantes de glicogênio”(1991,365) .

- Metabolismo Basal e Regulação Térmica :

São ambos, na mulher, cerca de 10 % menor. A mulher tem menor perda de calor devido à presença de tecido adiposo subcutâneo e como já vimos diferentes parcelas de gordura / músculo.


Weineck encontrou em Garn que “a musculatura tanto em repouso quanto em atividade, gasta mais oxigênio que o tecido adiposo, com menor massa muscular a mulher gasta menor energia” (1991,365).

Na regulação de calor, Weineck diz que “em ambos os sexos o máximo de temperatura tolerável é igual, mas as mulheres atingem seus limites numa menor temperatura ambiental” (1991,361).


Além disso, as mulheres não atingem temperaturas corporais tão altas quanto os homens em atividade. E apresentam transpiração menor devido a menor disposição de glândulas sudoríparas.


A secreção de suor feminino começa em menor temperatura na mulher e quanto a perda de água, Israel citado em Weineck ,”conclui que já num grau menor de desidratação aparecem sinais de esgotamento nas mulheres” (1991,366).


II – 2. Desempenho feminino nas principais formas de exigências motoras

- Resistência :

Devido às menores medidas cardio - pulmonares a capacidade de desempenho feminino é menor 10 % em média, em resistência.

O menor peso corporal e o fato de com o aumento da distância do percurso haver diminuição da carga tornam a mulher tão capaz de se adaptar às cargas quanto os homens, principalmente nos limites da menor capacidade corporal.


“A máxima concentração de lactato só se observa em nível absoluto” segundo Neuman e Buhl transcrito em Weineck (1991,367). Assim a mulher apresenta boa capacitação para cargas anaeróbicas e aeróbicas.


Com o treinamento e desenvolvimento da resistência na mulher ocorre distúrbio no ciclo da menstruação, denominado amenorréia. Weineck relaciona a amenorréia com a diminuição da gordura do corpo (1991,367). Esse processo de adaptação do treinamento normaliza com a redução do volume e aumento do teor de gordura.


Relacionado ao futebol Turíbio de Barros diz que “com menor número de glóbulos vermelhos, cuja função é transporte de oxigênio no sangue diminui o rendimento feminino 15 % em relação a atletas profissionais masculinos que percorrem em média 10 km por partida. A média feminina fica por volta de 8,5 km (SEGALLA e GARCIA,1995,35) .

- Força :

A diferença de força a favor dos homens está relacionada diretamente às características hormonais específicas dos sexos.

Segundo Dantas, “a ação dos hormônios androgênicos, que possuem importante papel no metabolismo de proteínas, permite a obtenção de maiores massas musculares” (1995,163). Esses hormônios favorecem os homens.

Antes da puberdade os dois sexos possuem diferenças mínimas, mas Weineck explica que “com o impulso hormonal estas aumentam e no início da idade adulta, as mulheres alcançam apenas dois terços da força masculina” (1991,368).


Abordando a força entre os sexos em três âmbitos, podemos verificar que na secção transversa do músculo diz Katch e Katch “que o músculo esquelético humano pode gerar cerca de 3 a 4 kg de força por cm2 independente do sexo” (1992,271).

Quanto à força total exercida em valores absolutos a mulher atinge 70 % da encontrada no homem. Em relação ao peso menos gordura, considerando as dimensões e composições corporais, essa diferença cai, mantendo-se apenas devido à maior massa muscular masculina e maior formação do tecido adiposo em relação ao peso do corpo feminino.


É acrescentado ainda como relativa carga desfavorável, as diferentes proporções de alavanca.


No futebol haverá uma defasagem na impulsão, velocidade e potência de chutes. Turibio Barros diz que “uma jogadora de futebol bem preparada salta, sem tomar distância para o impulso, mais de meio metro e no chute atinge até 100 km/h, enquanto o homem, 120 km/h”( SEGALLA e GARCIA ,1995,35 ) .



- Velocidade :

Sob a influência das diferenças de capacidade pela força, a velocidade tanto cíclica, quanto acíclica são inferiores na mulher.

Mas Weineck mostra que “os componentes coordenativos de atuação neuromuscular da velocidade como o tempo de reação e a freqüência de movimento são iguais para os dois sexos. (1991,368)


No futebol um jogador veloz, segundo Turíbio de Barros em Segalla e Garcia, “percorre 50 mts em 6 segundos. Um eqüivalente feminino faria a mesma distância em 7,5 segundos” (1995,35 ).

- Mobilidade :

A mobilidade é um pré-requisito fundamental para a execução de um movimento com qualidade. Nessa exigência motora as mulheres levam algumas vantagens sobre os homens.


A diferença é proporcionada pela menor densidade dos tecidos nas mulheres tornando ligamentos e músculos mais flexíveis e elásticos, dispondo na maioria das articulações de uma maior amplitude de movimentação.


Outros fatores que favorecem o sexo feminino “são a descontração muscular, posição dos ossos da extremidades em forma de x e coluna vertebral relativamente mais longa”, complementa Weineck (1991,368 ) .

- Capacidades Coordenativas :

Hollmann e Hettinger dizem em Weineck que “no conjunto, as capacidades coordenativas parecem ser desenvolvidas da mesma forma nos dois sexos, o mesmo vale para sua treinabilidade” (1991,370 ) .


Entretanto podem ser observadas diferenças que estão condicionadas às conjecturas sociais históricas que influenciam no comportamento sexual, já citadas no capítulo anterior.


Nota-se um melhor desempenho prático do sexo feminino em destreza de motricidade fina, com melhor aproveitamento nos membros superiores, mais especificamente nas mãos.


No futebol os homens mostram uma melhor coordenação nos membros inferiores em virtude do maior tempo de prática deste esporte, podendo a mulher atingir tal nível, mediante treinamento.


Baseado nas formas de exigências motoras conclui-se que em relação aos fatores de desempenhos condicionantes (resistência, força e velocidade) o homem é mais capaz na mobilidade que a mulher e nos desempenhos coordenativos os dois sexos são semelhantes.



II – 3. As diferenças psicológicas das ações femininas no esporte.

O estudo da psicologia é hoje a área que maior novidades oferece ao esporte, sendo cada vez mais determinante nos resultados.O simples fato de se praticar esporte já caracteriza mudanças no comportamento do indivíduo.

Segundo Ogilvie e Tutilo em Samulsky “os esportistas são motivados para o rendimento e revelam uma tendência para estabelecer metas exigentes e realistas para si e outras pessoas São organizados, disciplinados e dispostos para liderança e comunicação social. Possuem elevada capacidade de auto confiança, resistência psíquica, auto domínio, controle emocional e de elevada tendência de comportamento agressivo”(1995,81).


Atletas de esportes coletivos, como o futebol, são mais extrovertidos e motivados para a socialização, possuem menor criatividade que atletas de esportes individuais, porém são menos agressivos.


Entre os sexos notam-se diferenças, que serão consideradas com destaque para os padrões de comportamento feminino.


- Personalidade :

Psicologicamente as mulheres diante do esporte se mostram “introvertidas com grande esforço para buscar autonomia e sendo mais criativas e emocionais do que o sexo masculino,” salienta Samulsky (1995,84).

Estes fatores ficam mais evidenciados em atletas que praticam esportes de competição. Quando as mulheres buscam rendimento, elas trabalham com maior coerência, consciência e mostram um maior interesse.


Possuem ainda forte orientação para o reconhecimento direto e afirmação social. Elogio e repreensão são assimilados e sentidos espontaneamente.


Samulsky citando Hahn diz “que não há diferença básica no processo de aprendizagem e treinamento de homens e mulheres. O destaque no comportamento feminino é a grande dedicação, forte persistência e disciplina” (1995,85) .


A disciplina sofre influência direta do treinador na disposição para treinamento e competição, de acordo com sua identificação com o atleta.

- Atenção :

Samulsky destaca que “um atleta modelo do estilo de atenção deve apresentar uma distrabilidade mínima , relativa falta de sensibilidade para estímulo social, nível de ativação mais alto ,e uma tendência a inibir respostas para sentimentos internos e pensamentos” (1995,41).


Já as características que determinam o estilo de atenção feminino são: tendências para detectar sugestões sociais súbitas e reagir contra elas, disposição para responder sugestões emotivas e reduzida tendência à intensidade de estímulo extremamente forte.

- Motivação :

A análise de motivação é pessoal e depende, na distribuição de Samulsky, “do nível de aspiração, hierarquia de motivos, motivo de êxito e fracasso, atribuição causal e auto responsabilidade, situações externas como incentivos, dificuldades, problemas, desafios, atratividade e novidades” (1995,56).


O nível de motivação não apresenta diferenças sexuais distantes, mas analisado dentro do futebol nota-se uma menor preocupação da mulher em atingir âmbitos profissionais ou mesmo competitivo. A maioria pratica o futebol como esporte alternativo de lazer ou mesmo atividade corporal.


- Emoção :

No trabalho com futebol feminino, nota-se uma menor suscetibilidade às críticas e no caso de resultados adversos a busca de um motivo para o fracasso é maior, quase sempre desconhecendo o mérito do adversário.


As garotas se irritam facilmente e após o jogo culpam o trabalho do professor, de determinado companheiro de equipe ou da arbitragem.


O tempo de convivência do grupo e sua relação com o treinador é indiscutivelmente fator positivo para o comportamento emotivo do atleta dentro do jogo. Principalmente quando há um respeito mútuo e consciência em relação à personalidade, objetivos e necessidades de cada um.

- Liderança :

A liderança é caracterizada, segundo Samulsky, “pela hierarquia de habilidades, atitudes, inteligência, aparência física, criatividade e flexibilidade, personalidade, idade ou maturidade, antecedentes familiares e experiência de liderança” (1995, 150).


Parece não haver diferenças determinantes entre os sexos, embora as mulheres por motivos sociais parecem ter menos necessidade de liderança.


A maior dificuldade refere-se à sociabilização. As meninas são mais resistentes às mudanças no grupo ou à inclusão de novos atletas.

- Agressão :

Samulsky caracteriza a agressão com determinantes gerais e específicos: “Generalizando a agressão se dá por limitações genéticas, classe social e sexo, valores sócio-culturais, condições políticas, econômicas, ecológicas e influência do meio de comunicação. Especificamente, é definida pela modalidade esportiva e mais diretamente por intenções, expectativa, importância das competições e espectadores (1995,104)”.


Já o futebol, como esporte coletivo de uma variedade grande de ações, caracteriza-se por agressões corporais ,verbais e não verbais.


O trabalho psicológico do treinador é fundamental para o rendimento dos atletas, assim como sua própria conduta, critérios e relação social com os esportistas.



II – 4. A menstruação, a gravidez e suas interferências no desempenho feminino

A menstruação depende do teor de gordura, iniciando nas garotas quando este atinge 17 % da composição corporal.


A seqüência da menstruação que dura em média vinte e oito dias e sempre se repete, é denominado ciclo menstrual. A influência da menstruação é determinada pelo tipo de treinamento, de sua intensidade e grau de prática de atividade esportiva.

Segundo Weineck, “com a prática de esporte diminuem as queixas de distúrbios, em contrapartida, com o treinamento intensivo acontece a amenorréia, já citada, que leva a irregularidades reversíveis da menstruação”(1991,371).


Durante a menstruação (1o ao 4o dia do ciclo) é percebido um igual ou melhor desempenho. Bockler, descrito em Weineck, diz que “as dificuldades acontecem em atividades de longa duração, enquanto há uma melhora esporádica da velocidade” (1991,371).


A fase pós-menstrual (5o ao 11o dia) é considerada a de desenvolvimento ideal, já que acontece, segundo os mesmo autores do último parágrafo, “crescimento da taxa de estrógeno, ativação do córtex da supra- renal e paralelamente maior secreção de noradrenalina”(1991,371).


A fase inter-menstrual (12o ao 22o dia) é ideal para avaliação da capacidade para o desempenho.

E finalmente na pré-menstrual (23o ao 28o dia) o desempenho reduz-se quanto mais próximo esteja a menstruação.


Weineck apresenta com Keul que a explicação para esta redução “se deve à menor concentração, fadiga muscular e nervosa mais rápida” (1995,371).


Porém, em 70 % das mulheres, não há influência da menstruação. Há sim convicções sociais errôneas. Mesmo que tensão pré-menstrual tire a mulher do sério, alguns médicos até sugerem esforço.


Palkhe e Smitka ainda em Weineck, garantem que “quanto a perda de 60 ml médios de sangue na menstruação a influência é só psicológica, já que o sangramento é percebido geralmente como inibidor do desempenho” (1995,374).


Na gravidez e no parto, o esporte praticado de forma adequada não influencia negativamente.
Dependendo da prática esportiva (modalidade e nível) Weineck sugere “continuação de treinamento e competição até três meses” e completa com Nocker “até o oitavo mês, para não se perder o rítmo, libera-se atividades leves com cargas adaptadas à capacidade fisiológica que está mudando” (1991,374).


Quanto ao parto das esportistas, Pfeifer afirma em Weineck que “ocorre de forma mais rápida , menos dolorosa e com menos freqüência de estrias” (1991,374).No pós-parto ocorre uma melhora do desempenho ainda não explicada cientificamente.


No futebol, que é por excelência uma modalidade esportiva de contato, precisão e força em cargas incalculáveis, não se indica a prática, mesmo no início da gravidez.


Capítulo III - HISTÓRICO DO FUTEBOL FEMININO

“Não botava muita fé no futebol feminino, não.
Como todo homem achava que elas não tinham nascido para isso”.
Zé Duarte, técnico da seleção brasileira feminina nas Olimpíadas , Atlanta

(DUARTE, Marcelo.1996,48)

A história do futebol feminino apesar de recente é difícil de ser pesquisada diante do grande número de adversidades que esta modalidade esportiva encontra para se firmar no cenário mundial e principalmente no Brasil. Uma delas é a falta de literatura e pesquisas específicas sobre o desempenho do sexo feminino ou comparativas entre os sexos.


Encontramos uma provável origem numa partida realizada entre ingleses e franceses em 1920,citada na revista placar. ( DUARTE, Marcelo.1996,51)


O desenvolvimento se deu nos países europeus bem antes do que no Brasil, considerando o prestígio do nosso futebol masculino. Atualmente o grande destaque do futebol feminino está na América, mais precisamente nos Estados Unidos da América.


O interesse das mulheres pelo futebol nos Estados Unidos e sua difusão é fruto dos organizados campeonatos colegiais e universitários disputados em todo país, de onde despontaram as atuais nove milhões de atletas federadas.


Com uma seleção permanente desde julho de 1995, com sede na cidade de Orlando – Flórida, os Estados Unidos tiveram participações vitoriosas no campeonato mundial de 1991 e nas olimpíadas de 1996.


Em 1997 foi criada a Liga Americana de Futebol Profissional, bancada por quatro poderosas empresas de material esportivo, até o ano 2001.Além dos Estados Unidos, na Suécia, Noruega e China o futebol feminino é igualmente forte e profissional.



Na China, em 1991, foi realizado o primeiro mundial de futebol feminino conquistado, como já foi dito, pelos Estados Unidos. Em 1995 foi a vez da Suécia sediar esta competição e a Noruega saiu vitoriosa.


Em 1996 as mulheres disputaram a primeira olimpíadas da modalidade, em Atlanta. Sucesso de público com recorde da categoria sendo batida na final disputada entre Estados Unidos e China, no dia primeiro de agosto, com 76.481 pessoas. Aproximadamente, 10.000 pessoas menos que a final do masculino.



Os Estados Unidos venceram a partida por 2 x 1 e conquistaram a primeira medalha de ouro da categoria. A de prata ficou com a China e a de bronze com a Noruega que venceu o Brasil por 2x0.

Este heróico quarto lugar do futebol brasileiro contrasta com a desorganização do esporte no país e dificuldades para sua afirmação definitiva.

“Há notícias de que as mulheres brasileiras já jogavam futebol desde 1950, embora fosse proibido por lei o futebol feminino” (DUARTE, Marcelo.1996, 50) .


O Águias, formado por vedetes de casas noturnas em São Paulo, foi uma das principais equipes na década de setenta.


Quando esta equipe acabou, em 1975, a ponta direita Kaffé montou uma nova equipe batizada Kaffé Futebol Feminino. Ela era dona de uma boate, ponto de encontro de lésbicas de classe média em São Paulo.


Enciumada, outra ex-jogadora do Águias, Veranice, formou sua equipe, batizada de Panterinhas.



Ela era dona de outro estabelecimento para casais de mulheres. Nascia assim, ironicamente, a primeira grande rivalidade no futebol feminino.


Essa história, a princípio sem interesse, reflete um dos maiores problemas do futebol feminino: a visão estereotipada de que é um esporte praticado por homossexuais ou de que futebol masculiniza a mulher.


Outra grande dificuldade é o preconceito por parte de uma sociedade machista, inclusive por parte de pessoas diretamente ligadas ao futebol, como vimos no início com a frase do técnico da seleção olímpica.


Além desses dois problemas, o futebol feminino sempre esbarrou na falta de estrutura dos clubes brasileiros e na ausência de patrocínio para a área esportiva no Brasil, principalmente em esportes que ainda não se consolidaram em nível mundial.


A formação e manutenção das equipes femininas sempre foram bancadas por uma pessoa só, ou mesmo, pelo próprio grupo de atletas. A falta de recurso, grande índice de desistência das atletas e desmotivação provocada pela falta de adversários, também são adversidades.


A falta de adversários do mesmo nível acaba por ocasionar grandes diferenças nos resultados, a ponto de equipes abandonarem o campo de jogo, como o modesto Rio Branco do Espírito Santo, que na Taça Brasil, na época único campeonato regular do país, recusou-se a voltar a campo após levar uma goleada de 16x0 no primeiro tempo de uma partida conta o Saad.


Só em outubro de 1982 o futebol feminino foi regulamentado pelo CND – Conselho Nacional de Desportos.


O Esporte Clube Radar, fundado em 1981, pelo advogado carioca Eurico Lira, construiu a fama de time invencível, contabilizando dois penta campeonatos (estadual do Rio e Brasileiro). Além do currículo impressionante em que constam apenas quatro derrotas em trezentas partidas disputadas. O time foi extinto em 1988.


Se na década de oitenta as pioneiras do futebol feminino brasileiro eram de origem humilde, esse perfil vem mudando. As garotas da classe média aderiram ao esporte. Esta transição se deu principalmente após a vitória da seleção masculina na copa de 94. Nas estatísticas oficiais a Confederação Brasileira de Futebol registrava apenas quatrocentas atletas até 1996.

Geralmente vindas dos colégios e escolas de futebol, estima-se que o número de adeptas já atinge a marca de 100.000 em todo o país.

“Garotas altas, fortes, de classe média estão substituindo as meninas que aprenderam a jogar bola na rua com os irmãos” (DUARTE, Marcelo.1996,47) diz Romeu Castro, assessor da “Sport Promotion”, empresa para a qual a CBF repassou os direitos de cuidar e explorar o futebol feminino até o campeonato mundial de 1999.


O biotipo das brasileiras que estiveram em Atlanta era uma amostra do desnível em relação às americanas e norueguesas. O tiro de meta da goleira do Brasil não ultrapassava a linha do meio campo. Os lançamentos longos não apareciam no repertório de jogadas.


Com um maior número de atletas surgindo, pode haver uma seleção mais adequada para as exigências de cada posição.


O resultado das olimpíadas foi fruto de um intenso trabalho muscular e alimentar, a partir da convocação das atletas que conquistaram o quarto lugar.


Em 1997 o destaque foi a disputa do campeonato Paulista, denominado Paulistana, com boa cobertura da TV. A seguir veio o campeonato Brasileiro que terá a sua segunda edição este ano, inclusive, com jogos realizados em Goiânia e participação de vinte equipes de todo o país.


O São Paulo Futebol Clube desponta atualmente como a grande força do atual futebol feminino, sendo o atual campeão da Paulistana e campeonato Brasileiro. Em termos de craque, destaques para Roseli, Pretinha, Sissi e Kátia Cilene, todas da seleção brasileira.


Observação:

Como essa monografia foi escrita em 1998, esse capítulo se tornou muito defasado já que o futebol feminino nesses últimos 12 anos teve uma grande evolução, principalmente no futebol brasileiro. Com conquistas consideravéis da seleção brasileira, das nossas atletas individualmente e da criação de um campeonato envolvendo vários clubes de todos os estados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário